O porteiro Severino, responsável pela catraca do estúdio de gravação, vivia sendo chamado pelo diretor para fazer participações nas cenas. Ele detestava, não era a sua praia – o papel da sua vida era ficar na entrada checando credenciais. “Meu negócio é cara-crachá, cara-crachá, cara-crachá” lembrava, enquanto sua mirada variava rapidamente entre o rosto e o crachá do diretor. Como outros bordões de Paulo Silvino nos anos 1980, o “cara-chachá” pegou. E inclusive passou a nomear um procedimento comum em estúdios de gravação, coberturas jornalísticas e convenções: uma lista de personalidades importantes que devem ser notadas, com suas respectivas fotos e nomes. Lembrei dessa expressão outro dia assistindo à final do US Open de tênis. O locutor comentou que o evento estava tão recheado de celebridades que o cara-crachá tinha 20 páginas.
Eventos oferecem muitas oportunidades de conexões valiosas. Minha dica: faça o seu cara-crachá. Começando pelo óbvio: palestrantes. Você já sabe que essas pessoas estarão lá, pegue uma foto na Internet, coloque o nome, a posição e o horário da palestra, para não se confundir. Mais alguém que vc viu na internet informando que passaria por lá? Ou então preencha com os suspeitos de sempre; pessoas que gostam de eventos e podem ser conexões valiosas (sei do que estou falando – eu mesmo sou um tremendo arroz de festa de congressos).
Com seu cara-crachá na mão vai ser mas fácil prorizar os contatos. Colocar um rosto junto ao nome facilita a identificação quando o encontro se apresenta de improviso, e ajuda a evitar aquela sensação horrível de esquecer o nome da pessoa. Na medida em que você for falando com seus targets pode ir riscando da lista, e se focar nos que estão faltando. O cara-crachá é uma ferramenta gratuita e super útil para evitar a pior armadilha dos eventos – só falar com quem você já conhece, não ampliar sua rede, ficar preso na sua bolha. Mãos à obra.

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